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Dunga tem um pomo de adão mais risonho que o próprio sorriso de Dunga. É difícil saber que conjunção de músculos é essa que, dado um sorriso na boca, que é a parte naturalmente sorridente, o gogó de Dunga sobe e treme de maneira hipnótica. Mas este é apenas um dos inúmeros trejeitos do corpo de Dunga que vão desenhando seu design único e aerodinâmico, que tento rascunhar no caderninho listrado que comprei. O último que anotei foi esse:
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Quando Dunga diz algo que pensa ser uma piada engraçada, seu senso crítico, que é mais rápido que o próprio Dunga, trata de censurar uma possível gargalhada solitária, então Dunga lança o corpo para trás e tenta achar as palavras que inaugurem um novo assunto, trazendo o corpo para a frente com discrição.
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Foi na fila da bilheteria que conheci Dunga. Eu era o quinto e Dunga o sétimo. Ou ao contrário. Tanto faz. Depois de passar sua carteirinha falsa e pagar meia por mais um filme iraniano parado e cheio de areia, o pomo de adão de Dunga tremeu na subida da escada e daí a emprestar um DVD e um livro foi a consequência mais do que natural.
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No aeroporto, Dunga me disse que a Europa era o novo mundo. Ainda que houvesse aí uma licença poético-histórica, entendi muito bem o que Dunga queria dizer, afinal, a sarda que mora ao lado de seu cílio torto nunca combinou com o sol forte daqui. Gastar em protetor solar fator 60 fazia com que Dunga ficasse mais pobre a cada verão e, já que a Europa é o novo mundo, vai Dunga, dá uma rebobinada no Colombo, vá comer os índios de lá! Eles sabem pronunciar teu nome. Como não havia Debret que aquarelasse a despedida, lá se foi Dunga procurar onde era o portão de embarque, com seu andar empinado para dentro.
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Quando Dunga voltou, no mesmo aeroporto, porém desta vez no andar de baixo que é destinado aos desembarques, notei que, para dizer algo que sele de uma vez por todas uma guinada na vida, Dunga pisca demorado e já abre o olho com o globo ocular voltado o mais para cima possível, como se quisesse olhar para trás, sem se mover.
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-Sei lá, meu... muito estranho esse negócio de Europa. A Finlândia é bem no cú do mundo. A pizza é esquisita. Será que sou brasileiro?
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-Ué, e você nasceu onde? - perguntei enquanto anotava no caderninho listrado.
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-Aqui, em São Paulo.
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-Então é. Brasileiro.
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Comprei três fatores 60 para Dunga, de uma marca que meus amigos maquiadores disseram ser a que mais protege. Notei que sempre que vai lambuzar o rosto com o protetor, Dunga começa pela asa direita do nariz.
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Quando Dunga diz algo que pensa ser uma piada engraçada, seu senso crítico, que é mais rápido que o próprio Dunga, trata de censurar uma possível gargalhada solitária, então Dunga lança o corpo para trás e tenta achar as palavras que inaugurem um novo assunto, trazendo o corpo para a frente com discrição.
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Foi na fila da bilheteria que conheci Dunga. Eu era o quinto e Dunga o sétimo. Ou ao contrário. Tanto faz. Depois de passar sua carteirinha falsa e pagar meia por mais um filme iraniano parado e cheio de areia, o pomo de adão de Dunga tremeu na subida da escada e daí a emprestar um DVD e um livro foi a consequência mais do que natural.
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No aeroporto, Dunga me disse que a Europa era o novo mundo. Ainda que houvesse aí uma licença poético-histórica, entendi muito bem o que Dunga queria dizer, afinal, a sarda que mora ao lado de seu cílio torto nunca combinou com o sol forte daqui. Gastar em protetor solar fator 60 fazia com que Dunga ficasse mais pobre a cada verão e, já que a Europa é o novo mundo, vai Dunga, dá uma rebobinada no Colombo, vá comer os índios de lá! Eles sabem pronunciar teu nome. Como não havia Debret que aquarelasse a despedida, lá se foi Dunga procurar onde era o portão de embarque, com seu andar empinado para dentro.
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Quando Dunga voltou, no mesmo aeroporto, porém desta vez no andar de baixo que é destinado aos desembarques, notei que, para dizer algo que sele de uma vez por todas uma guinada na vida, Dunga pisca demorado e já abre o olho com o globo ocular voltado o mais para cima possível, como se quisesse olhar para trás, sem se mover.
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-Sei lá, meu... muito estranho esse negócio de Europa. A Finlândia é bem no cú do mundo. A pizza é esquisita. Será que sou brasileiro?
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-Ué, e você nasceu onde? - perguntei enquanto anotava no caderninho listrado.
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-Aqui, em São Paulo.
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-Então é. Brasileiro.
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Comprei três fatores 60 para Dunga, de uma marca que meus amigos maquiadores disseram ser a que mais protege. Notei que sempre que vai lambuzar o rosto com o protetor, Dunga começa pela asa direita do nariz.